sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

A redescoberta da cultura terena

No limiar do segundo milênio, a nação Terena, uma das mais populosas de Mato Grosso do Sul, está conseguindo resgatar parte da cultura perdida há muitos anos, trazendo aos olhos da população a beleza de danças e brincadeiras que estavam desaparecidas das mentes e corações dos povos indígenas.
Esse resgate tímido surgiu há pouco mais de uma década em Campo Grande, com apresentação de um grupo de jovens dançarinos terena, que repercutiu no meio cultural e nas comunidades indígenas, criando um sentimento de valorização. Os rituais, de origem remota, já são praticados novamente na maioria das aldeias terena de Mato Grosso do Sul com maior intensidade que nas décadas de 70 e 80.
A dança apresentada pelo Grupo Tê representa dois agrupamentos guerreiros que, chefiados pelos respectivos caciques, dançam em filas paralelas e depois se separam. Em seguida, repetem os mesmos passos dançados anteriormente, mas cada lado procura executar melhor os diferentes movimentos durante o maior tempo, pondo a prova sua resistência.
O Grupo que resistir por mais tempo é o vencedor, e seu cacique é carregado em triunfo ao redor da aldeia por todos que tomaram parte na dança. Sempre participam guerreiros em número par vestidos com diademas e saiotes de penas de emas. Eles pintam o corpo de branco e preto, e tambores e flautas garantem a música e o ritmo necessários.
http://images.orkut.com/orkut/photos/OgAAAHv4TTp2CMkYLTCZio9kjtoTEOOthZc1FXn4agPWHeRuMHnZcy_ryH-XphrBnwZ7Z7hw8q0I4o2Ow0rhAMjyzf8Am1T1UOpi413aOisbTbIhsnk3Zv7ULIvm.jpgOutra luta é recuperar a língua tradicional, que em muitos lugares não é falada nem pela população terena. Já há uma geração que tenta resgatar o orgulho pela riqueza e diversidade cultural desta nação indígena que, de índole pacifica, vivia na região do grande Chaco, no Paraguai. Cultivavam milho, mandioca, fumo, batata doce, algodão e diversos tipos de abóboras, além de coletarem frutos silvestres regionais e mel.
Aos homens cabiam, além da lavoura, a cestaria, a caça e a pesca. As mulheres eram responsáveis pelos trabalhos domésticos e, além deles, por dois tesouros que ainda permanecem em várias comunidades: a confecção de peças de cerâmica e a fiação do algodão para confeccionar faixas e peças de roupas.
Fugindo dos Kadiwéo, os terena foram adentrando ao território brasileiro. A fuga pretendia preservar, principalmente, as mulheres, cuja beleza ainda hoje pode ser vista em diversas comunidades, e atraia os perseguidores inimigos.
http://images.orkut.com/orkut/photos/OgAAAC7qBxBwBlXDk0qGcMe16aJXT2yLEbt5orBuj5VR9oIClmoB0ePog8qaeUWyM_8s8SYXvrW0KNOfQdGxhiR95NAAm1T1UF2EG0TAASZodDh90vZYPQatp6X1.jpgA guerra do Paraguai também trouxe prejuízos à cultura terena. Muitos índios foram convocados para lutarem junto às tropas do Império Brasileiro. Foram convocados os “capitães”, ou caciques, para formarem batalhões e, juntamente aos Kadiwéos, combaterem os soldados paraguaios. O resultado foi desastroso para os índios, porque sofreram uma redução drástica de população. Ao voltarem para suas comunidades, receberam apenas os fardamentos e armas velhas.
Para piorar a situação, o governo brasileiro, alegando motivos estratégicos, construiu a estrada de ferro interligando a bacia do rio Paraguai com o Atlântico. Isto literalmente dissecou o território terena concluindo assim o processo de desintegração tribal.
Mas foi no final do século XIX que o povo terena passou a intensificar as relações de troca com a sociedade branca envolvente. Chegaram inclusive a serem os responsáveis pelo abastecimento de gêneros alimentícios para toda a região dos municípios de Miranda e Aquidauana. Até hoje têm grande importância na de produtos horti-frutíferos nessas cidade onde a atividade econômica predominante é a pecuária.
Geraldo Ferreira | Popular.inf.br

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